Este é o título que João Paulo Guerra dá à crónica que diariamente publica no «Diário Económico» e onde se pode ler:
Quem lê as receitas de políticos e produtores de opinião para acabar com a violência em guetos pobres e deprimentes esbarra com um muro de interrogações.
E como e quando é que se acaba com a exclusão? E o que é que se faz à violência enquanto a exclusão não acaba? A maior parte das vezes o palavreado só tem um efeito: deixar tudo na mesma e continuar a aplicar a política de acudir aos fogos quando eles se declaram.
A direita pede repressão, a esquerda reclama políticas sociais. Mas a repressão, o que significa? Abrir fogo, matar alguns e amedrontar os outros? E depois? E quanto às políticas sociais, enquanto chegam e não e não chegam, que fazer? Deixar que o tiroteio se generalize? Um líder de um partido de esquerda, metendo os pés pelas mãos, perorava um dia destes que os desacatos da Bela Vista não se resolvem com o envio de polícias para o local. Então? Enviam-se sociólogos para acabar com os desacatos? A direita reclamava autoridade. E como? Acaba-se com a violência à chanfalhada ou a tiro, sabendo-se que o surto de violência actual começou precisamente com um caso de violência policial?
A esquerda sabe que as políticas sociais não se aplicam nem têm efeitos de um dia para o outro, nem o Governo é muito dado o enfoques sociais. Tal como a direita sabe que violência atrai mais violência. A questão é que nem esquerda nem direita estão propriamente interessadas em acabar com o problema da Bela Vista e de outros bairros. Estão, isso sim, preocupadas em ouvir o eco das respectivas vozes e os aplausos das respectivas claques. A política transformou-se num exercício de psitacismo, numa verborreia em que cada um apregoa o que sabe que outros querem ouvir. Uma doença de papagaios, para falar bem e depressa.
Publicado por dizerbem em maio 12, 2009 11:26 AM | TrackBack